26.5 C
Brasília
03/04/2025
ACRE

Falta de informação ainda é o grande problema da dislexia

A inteligência, até alguns anos atrás, era medida apenas pelos testes de Q.I. – Quociente de Inteligência. Dependendo do resultado, uma pessoa poderia ser classificada, por exemplo, como abaixo da média, mediano ou superdotado. E a ideia de que “quem é bom é bom em tudo” foi um conceito que limitou por décadas o entendimento sobre inteligência. No entanto, entender como aprendemos e o porquê de muitas pessoas inteligentes, e até geniais, experimentarem dificuldades de aprendizado é um dos desafios da Ciência, que aos poucos começa a desvendar os mistérios do cérebro. Com os avanços tecnológicos, descobriu-se a dislexia.
De acordo com a pedagoga especial Marisa Helena Silva, dislexia é um transtorno hereditário dominante que afeta a aprendizagem ligada à área da leitura, escrita e soletração. É uma dificuldade que aparece na época escolar, o que acaba afetando o desenvolvimento do intelecto. Chega a ser confundida, muitas vezes, com preguiça ou desinteresse da idade, mas não é bem isso.
 
A pedagoga explica que os primeiros sinais são os que atingem o entendimento de organização da criança, podendo ser pouco perceptivos antes da idade escolar. “É na escola que essas dificuldades são percebidas. Quando a criança tem dificuldades em assimilar o que é ensinado pelo professor, tem problemas na leitura, escrita e compreensão do que lê, trocando letras frequentemente”. Segundo Marisa, a dislexia também afeta a memória de curto prazo. Além disso, o disléxico não consegue realizar tarefas como seguir indicações de caminhos, executar trabalhos complexos, aprender outras línguas e outras situações que estão diretamente ligadas às áreas da memória, raciocínio e linguagem.
No entanto, o psicólogo cognitivo Howard Gardner descobriu em suas pesquisas que a medição da inteligência, assim como considerar dificuldades de aprendizagem como “burrice”, é um grande equívoco. Em seu livro Inteligências Múltiplas, Gardner demonstrou que cada cérebro é diferente do outro e por isso cada pessoa desenvolve uma habilidade diferente. No caso dos disléxicos, o hemisfério lateral direito é mais desenvolvido do que o dos leitores normais, o que significa um desenvolvimento de outros potenciais. Hoje, também fazem parte da inteligência a sensibilidade às artes, ao atletismo, à mecânica, criatividade na solução de problemas, entre outros.
 
“O que acontece é que o disléxico tem um ritmo diferente, portanto não se deve submetê-lo a pressão de tempo ou competição com os colegas”, destaca a pedagoga. Atualmente, a dislexia é uma das causas da evasão escolar e do analfabetismo funcional, por ainda estar envolvida pela desinformação. “É importante estimular o disléxico a fazer com que ele acredite na sua própria capacidade. Com métodos adequados, muita atenção e carinho, a dislexia pode ser derrotada”, completa a pedagoga.
Crianças disléxicas que recebem tratamento desde cedo apresentam menos dificuldades ao aprender situações e conteúdos novos. “É importante entender que a dislexia não é curada sem um tratamento apropriado. Não se trata de um problema que é superado com o tempo”, esclarece Marisa. Segundo ela, cada caso é diferente, o que exige uma educação e um tratamento mais específico para cada dificuldade. Um dos tratamentos parte da modificação dos métodos de ensino e do ambiente educacional para atender às necessidades do disléxico, visando a ensinar através do que o estimula, seja com música, vídeos, artes, entre outros recursos. Em alguns casos, são indicados medicamentos complementares que auxiliam na atenção e concentração.

Related posts

Dedilhando letras

Eraldobr

Sancionada lei que permite trabalho para beneficiários

Eraldobr

Deficiente (Não Condutor) tem direito de adquirir carro sem pagar IPI

Eraldobr

Deixe um comentário

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Assumiremos que você está ok com isso, mas você pode optar por não participar se desejar. Aceitar Leia mais