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31/03/2025
PARANÁ

Lei de cotas completa 18 anos com desafios

A lei de cotas, que estabelece a obrigatoriedade de reserva de vagas nas empresas para pessoas com deficiência, completa 18 anos no próximo dia 24 ainda com desafios a vencer. O principal deles, segundo entidades, é promover a conscientização do empregador quanto à capacidade dos trabalhadores com deficiência. A consequência é a abertura de vagas para essas pessoas apenas em cargos que não exigem qualificação ou grau de estudo avançado. Além disso, nem todas as empresas estão preparadas para receber o deficiente.

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Dados da Associação dos Deficientes Físicos de Goiás (Adfego) mostram que a maior parte das vagas destinadas a deficientes é para funções como auxiliar de cozinha, de serviços gerais e de copeira. O instrutor de informática Diogo Armando Borges, que atua também no Departamento de Seleção da Adfego, observa que raramente encontra-se uma vaga que exige nível superior ou para uma função em que a pessoa tem de ficar mais exposta.

Diogo explica que as exigências feitas pelas empresas dificultam a colocação do profissional com deficiência no mercado de trabalho. Segundo ele, o preconceito maior é com os cadeirantes, já que 98% das empresas que solicitam associados à Adfego, por exemplo, pedem para que o profissional não esteja em cadeiras de rodas ou que não tenham deficiência nas mãos ou pernas. “E é muito difícil um deficiente físico não ter problema nas mãos ou pernas”, diz.

A presidente da Adfego, Maria de Fátima Rodrigues Carvalho, observa que não é o deficiente que tem de atender o perfil da empresa, mas sim a empresa que tem de se adequar. Mesmo com essa dificuldade, a presidente ressalta que a lei trouxe resultados “esplêndidos”, pois colocou o deficiente no mercado de trabalho. “A dificuldade ainda é por falta de conhecimento do empregador e de confiança na capacidade do deficiente”, declara.

Maria de Fátima diz que para vencer a barreira do preconceito, as associações têm investido cada vez mais na qualificação profissional de seus associados, oferecendo cursos de qualificação e educação. O resultado disso, segundo ela, é um quadro de profissionais que são respeitados e que se destacam nas empresas. “O que temos feito é tentado mostrar que todos têm capacidade de desempenhar um bom trabalho. Os empresários têm tido satisfação de 75%.” Atualmente, a Adfego tem 375 funcionários trabalhando por meio de convênios e em outras empresas.

FISCALIZAÇÃO
Conforme determina a lei de cotas, as empresas têm de reservar vagas a deficientes de acordo com o número de funcionários que o local emprega – de 100 pessoas acima. O percentual pode chegar a até 5%.

Roberto Polastri Vieira, coordenador da Comissão Regional de Igualdade e Oportunidade de Gênero, de Raça e Etnia de Pessoas com Deficiência e Combate à Discriminação da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de Goiás (SRTE-GO), diz que o importante na lei não é aplicar multas, mas possibilitar o acesso do deficiente no mercado de trabalho. Somente no primeiro semestre deste ano, foram contratados 220 deficientes sob ação fiscal.

INCENTIVO NA QUALIFICAÇÃO

Thiago Biratan de Souza, 23, é surdo, participou de um dos cursos de lanternagem coordenados pela Associação dos Surdos de Goiânia e realizou um de seus sonhos: conseguir o primeiro emprego. Há oito meses, ele trabalha em uma das maiores concessionárias de Goiânia como auxiliar de lanternagem. E o fato de não poder ouvir ou falar não impede que ele consiga se comunicar com os colegas de trabalho e de desempenhar com qualidade suas funções.

O encarregado de lanternagem dessa mesma empresa diz que Thiago é um funcionário muito atencioso e que faz seu trabalho com rapidez e perfeição. “Ele já está 80% profissional”, diz. Com a ajuda de Luiz, o auxiliar de lanternagem disse à reportagem que sempre quis trabalhar e que procurou se qualificar para alcançar seu objetivo. Disse que a convivência no trabalho é muito boa e que todos, independente de ser deficiente ou não, deveriam ter oportunidades de emprego.

“IDEIA EQUIVOCADA”
Iolanda Filguera de Brito, gerente de recursos humanos da concessionária, diz que apenas a matriz da empresa emprega 270 funcionários e contrata deficientes de acordo com o que a lei determina. Ela diz que as pessoas têm a ideia negativa de que o deficiente tem dificuldade para trabalhar, mas, em sua visão, essa dificuldade a empresa pode ter com qualquer profissional. “Antes o deficiente era tratado como incapaz, mas não é. Acredito que um dos desafios a se vencer nesse campo ainda seja promover a qualificação”, diz.

 

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