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Jantar às escuras em Vila Real para alertar para dificuldades

Vila Real, 12 Nov (Lusa) – O Núcleo de Alunos de Engenharia de Reabilitação (NAERA) da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) promove quinta-feira, em Vila Real, um jantar “às escuras” para alertar para as dificuldades sentidas pelas pessoas cegas.

O NAERA convida os alunos e professores da academia transmontana a jantar sem saberem onde estão os talheres e sem sequer terem conhecimento do que vão comer.

O “jantar às escuras” pretende ser uma acção de sensibilização para as dificuldades do dia-a-dia das pessoas cegas.

A UTAD começou a leccionar, em 2007, a primeira licenciatura da Europa em Engenharia de Reabilitação e Acessibilidade Humanas.

A iniciativa dos estudantes está integrada no Fórum sobre Acessibilidade nos Transportes, através do qual a UTAD se associa ao Dia Mundial da Usabilidade que este ano tem como tema os transportes.

A usabilidade está relacionada com a facilidade de utilização dos produtos e serviços e, nesse sentido, agrega ainda a temática da acessibilidade às tecnologias de informação por parte das pessoas com necessidades especiais.

O fórum vai discutir temas como o transporte especial porta-a-porta, adaptação de veículos para transporte individual, demonstração, avaliação e treino de condução adaptada.

Paralelamente decorre ainda uma exposição de veículos adaptados e uma actividade lúdica de condução adaptada.

O evento é organizado pelo Centro de Engenharia de Reabilitação em Tecnologias de Informação e Comunicação (CERTIC), da UTAD, que desenvolve a sua actividade orientada para a aplicação da ciência e da tecnologia na melhoria da qualidade de vida das populações com necessidades especiais.

Francisco Godinho, responsável pelo CERTIC, disse à agência Lusa que o fórum pretende ser um momento de reflexão e de debate sobre as dificuldades sentidas pelas pessoas com deficiência, nomeadamente para conseguirem tirar a carta de condução.

Para contar a sua experiência e dificuldades, vai estar em Vila Real Carlos Silva, que reside no Algarve, uma das únicas pessoas com paralisia cerebral que este ano conseguiu tirar a carta de condução em Portugal.

Francisco Godinho defendeu ainda a criação de incentivos para os taxistas que pretendam adaptar os seus veículos às pessoas que se deslocam em cadeira de rodas.

O responsável disse que, em Portugal, existem apenas táxis adaptados em Famalicão e Maia e que, apesar da Câmara de Lisboa ter aberto concurso para atribuir 50 licenças a táxis adaptados, já foram várias as queixas dos taxistas que alegam que não é rentável.

A questão dos transportes públicos em Vila Real também vai estar em discussão já que, segundo Francisco Godinho, depois de ultrapassado o problema dos dois autocarros que não tinham rampa de acesso, coloca-se agora o problema da segurança devido “à inexistência de cintos que segurem as cadeiras de rodas”.

“É um problema fácil de resolver e para o qual queremos alertar a autarquia e a empresa responsável pelos transportes públicos”, salientou.

O CERTIC já desenvolveu um sistema para comunicação pela íris com doentes que apenas conseguem movimentar os olhos e ainda o MECBraille – Marco Electrónico de Correio Braille, que disponibiliza gratuitamente um serviço de conversão e envio de textos e cartas em braille.

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