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A Polícia Civil do Pará indiciou uma mulher acusada de agredir o atleta paraolímpico de judô Rayfran Pontes, de 18 anos. A agressão, que teria sido praticada por ela e outras três pessoas que ainda não foram indiciadas, aconteceu na rodoviária do município de Canaã dos Carajás, no sudeste do Pará. Pontes, que é cego, teve a mão e o braço feridos e, por isso, perdeu a chance de disputar o Mundial na Turquia, em abril deste ano. A acusada responderá por lesão corporal leve.

De acordo com o treinador de Rayfran, Sérgio Soares, a agressão aconteceu por volta das 15h30m da última quinta-feira, quando o atleta tentava voltar de uma visita à casa da irmã, para Parauapebas, onde mora. Pontes foi até a rodoviária e solicitou a emissão de seu passe livre para que pudesse viajar gratuitamente na van, como é seu direito. Inicialmente, a acusada, que é atendente da cooperativa de vans, emitiu o documento, mas depois tentou desfazer a operação, ainda segundo o treinador.

- Quando ele já estava sentado esperando a van, ela retornou e mandou que ele devolvesse o passe porque não tinha direito ao benefício. Ela disse ainda: 'cego não era bem-vindo nessa cidade' - acrescenta o treinador Sérgio Soares.

O atleta ainda teria sido ofendido por três funcionários da cooperativa de vans e reagiu reivindicando seus direitos. Sob protestos, disse que pagaria a passagem. No calor da discussão, ainda de acordo com o treinador de Rayfran, os quatro funcionários da cooperativa passaram a agredir o atleta paraolímpico.

- Eles começaram a empurrar o Rayfran de um lado para o outro e em um desses empurrões ele, como é cego total, ficou sem noção de espaço, e se apoiou no vidro do guichê, onde cortou o dedo da mão direita até o pulso - lamentou o treinador.

Na hora do incidente, o atleta paraolímpico estava em companhia da irmã e de uma sobrinha de 4 anos. Segundo o treinador, na tentativa de defender Rayfran, a irmã dele também foi agredida, com um tapa no rosto.

O coordenador de promoção dos Direitos Humanos da Pessoa com Deficiência da Sejudh (Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos), Antônio Carlos Barros Júnior, cobra rigor da apuração do caso.

- Voltamos à idade da pedra. Estamos acompanhando o caso e queremos que os culpados sejam punidos de forma exemplar - disse.

A Sejudh pede que a acusada responda pelo crime de discriminação.

Segundo Antônio Carlos, esse tipo de agressão não é comum aos portadores de necessidades especiais.

- Não é típico desse segmento ser tratado dessa forma. Temos outros tipos de dificuldade, como a falta de acessibilidade, mas uma situação extrema como essa nos surpreendeu - afirmou.

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