Jovem portadora de necessidades especiais motivou escolha de tema debatido em sala de aula. A chegada de uma nova aluna, portadora de necessidades especiais, mudou a vida dos estudantes da Escola Estadual Professor Jonas Corrêa de Arruda Filho, em Americana. Com a novidade na rotina dos pequenos, o tema escolhido pelos professores para o Projel (Projeto Jornal na Escola) não poderia ser outro: inclusão.

Matérias relacionadas aos direitos dos deficientes serviram de base para os trabalhos desenvolvidos pelos alunos do ensino fundamental.
Já os alunos da Escola Juvelina Oliveira Rodrigues, em Santa Bárbara, utilizaram as reportagens para fazer um trabalho sobre a valorização da língua portuguesa.
O foco dos estudantes era classificar a leitura como algo importante para o desenvolvimento da cidadania dos brasileiros.
Desenvolvido em parceria com a DRE (Diretoria Regional de Ensino), o Projel foi lançado em 2002 pelo jornal O LIBERAL com o objetivo de formar jovens com senso crítico mais aguçado, estimular o hábito da leitura e fazer dos alunos agentes sociais.
Segundo a coordenadora pedagógica Márcia Tonello Franco, a chegada de uma criança especial na escola iniciou, quase que espontaneamente, um processo de despertar a solidariedade e também os questionamentos próprios para a faixa etária.
Com isso, deu-se início ao estudo da inclusão não só escolar como na sociedade das crianças com qualquer tipo de deficiência, seja física, sensorial ou intelectual.
Durante o ano letivo, os alunos das quartas séries produziram tirinhas sobre o tema inclusão, focando a cidadania e a solidariedade.
Os desenhos, expostos no mural da escola, trazem na maioria crianças ajudando portadores de deficiência visual a atravessar a rua ou cadeirantes reivindicando rampas ao lado de escadarias.

Ainda na escola Jonas, os alunos da quarta série B, em companhia da professora-interlocutora - que acompanha na sala de aula uma aluna com deficiência auditiva -, apresentaram a música "Aquarela" em LIBRAS (Linguagem Brasileira de Sinais).

A mesma técnica foi utilizada para fazer uma homenagem aos professores no mês de outubro, no qual os alunos escolheram a música "Ao Mestre com Carinho".

O LIBERAL como referência

De acordo com a coordenadora pedagógica, o trabalho de inclusão foi ampliado com a reportagem do jornal O LIBERAL no dia 12 de outubro, com o lançamento de uma cartilha sobre os direitos e situações práticas da pessoa com deficiência, feita pela APAE (Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais).

"Os alunos se interessaram por conhecer a cartilha. Depois de muito estudo, foi organizada uma apresentação sobre o tema onde assistimos a um pequeno filme sobre inclusão, apresentamos poemas, canções, confeccionamos um mural sobre o tema e encerramos com a entrega das referidas cartilhas para todos os presentes (alunos, professores, funcionários e pais) como forma de ampliar a conscientização e colaborando com o trabalho tão bem organizado pela APAE", completou.

Para Andréa, o trabalho com o jornal O LIBERAL faz parte do cotidiano da escola.

"Os variados gêneros textuais que passeiam tão harmonicamente pelos olhos dos nossos alunos diariamente, despertam o interesse por aquilo que ocorre na nossa sociedade, como numa brincadeira. Assim, o aprendizado ocorre de forma tão intensa que aos poucos transforma o aluno receptor num cidadão mais consciente e crítico".

Português como ato de cidadania

Incentivar os alunos a conhecer mais sua língua materna através da leitura. Esse foi o ponto de partida da escola Juvelina Oliveira Rodrigues, em Santa Bárbara d'Oeste.

As ações desenvolvidas a favor da leitura foram aplicadas em todas as séries.

As quintas trabalharam fábulas e reescritas; as sextas, relatos; as sétimas séries, mitologia grega, mitos e lendas; as oitavas, debates e artigos de opinião; os alunos do primeiro ano trabalharam o projeto "Ler é Bom, Experimente" com a leitura e produção de crônicas; o segundo ano abordou a leitura e produção de conto fantástico gótico; já o terceiro ano ficou com a produção e leitura de textos argumentativos.

De acordo com a professora de língua portuguesa Vera Lúcia Ferreira Gomes Siloni, o objetivo foi destacar o português como um ato de cidadania.

Para isso, foram feitas muitas leituras de livros, revistas e jornais. "Cada turma trabalhou uma coisa diferente. As meninas do primeiro ano, por exemplo, procuraram dentro da comunidade as propagandas com erros de língua portuguesa. Quando elas achavam, elas fotografavam. No final, elas fizeram um teatro bem humorado com os erros de português e apresentaram para toda escola", contou.

Segundo os alunos, o intuito foi mostrar para as pessoas que valorizar a língua materna é uma questão de cidadania.

"Saber comunicar-se é essencial em nosso cotidiano. Mas o que vemos atualmente são pessoas que não tem dado o devido mérito a nossa língua materna, muito desinteresse pela leitura, apesar do incentivo que a escola oferece disponibilizando o jornal O LIBERAL não só nos horários de aula, mas também em momentos de lazer para todos. Nossa ação incomodou um morador de nosso bairro que possui um comércio a corrigir sua propaganda. Além dele outras pessoas passaram a se autocorrigir", contava o texto produzido por Tainá Pereira de Lima, Gabrieli de Oliveira, Luana Gomes Milanez e Camila Silva Serqueira, alunos do primeiro ano.

Para os alunos, uma das principais formas de reverter toda essa desvalorização é manter vivo o desejo e o vício pela leitura.

"Concluímos que não é só nosso dever, mas sim uma obrigação valorizar a nossa língua, que é tão rica e nos torna cada vez mais cidadãos".

A coordenadora do ensino fundamental Andrea Cristina Romera destacou que a participação do Projel no projeto desenvolvido este ano foi essencial.

"Nós temos acesso à informação sempre atualizada e os professores trabalham demais com o jornal em sala de aula. E os alunos também gostam. Deixamos o jornal no pátio da escola e, no horário do intervalo, eles sentam e leiam. E o exemplar é bem concorrido", conta.


Fonte: Jornal O Liberal


Abraços inclusivos,
Elizabeth Fritzsons da Silva
Psicóloga e Diretora da Unidade de Atenção aos Direitos da Pessoa com Deficiência