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A inclusão de crianças com algum tipo de deficiência nas redes municipais de ensino aumentou 59% nos últimos três anos na RPT (Região do Polo Têxtil). Segundo dados levantados nas cidades de Americana, Nova Odessa, Santa Bárbara d'Oeste e Hortolândia, o número de crianças com deficiência passou de 406 alunos em 2009 para 648 alunos matriculados neste ano. No entanto, apesar do aparente avanço na inclusão, pais de alunos deficientes ainda não estão satisfeitos com a estrutura oferecida nas escolas, que, segundo as prefeituras, não possuem déficit de vagas para esse tipo de estudante.

De acordo com a Prefeitura de Americana, todas as 53 escolas da rede municipal são capacitadas para atender alunos com deficiência. No total, 152 alunos com algum tipo de necessidade estão nas escolas da cidade atualmente. A cidade de Hortolândia possui 260 alunos incluídos nas escolas municipais. Já Nova Odessa possui atualmente 50 alunos especiais matriculados na rede municipal e, de acordo com a Prefeitura, todas as 20 unidades escolares do município possuem alunos com necessidades educacionais especiais. Em Santa Bárbara, 186 alunos com algum tipo de deficiência frequentam as escolas municipais. Das 40 unidades escolares da cidade, 27 possuem alunos especiais. A Prefeitura de Sumaré não enviou os dados referentes à inclusão de alunos à reportagem.

 

Fora da Escola

Segundo a vendedora Alessandra Cristina da Silva Danoz, de 37 anos, moradora de Americana, sua filha de seis anos, que é autista, não teve dificuldades em conseguir matrícula na rede pública de ensino, no entanto, desde o início do ano a menina está fora da escola em razão da falta de uma profissional que possa acompanhar a criança durante a aula. "Quando minha filha estudava na educação infantil, havia uma estagiária. O desenvolvimento foi visível, ela começou até a conversar, no entanto, agora ela já está se fechando, já que está desde o início do ano fora da escola", disse.

Alessandra liga toda semana para a escola para saber se a estagiária já foi contratada. "A resposta é sempre a mesma, que ainda não tem nem previsão de quando irá chegar. Mas esse é um direito da minha filha e vou lutar até o fim." O único local onde a filha de Alessandra faz acompanhamento é na Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais), uma vez por semana. "Minha filha é esperta, inteligente e tem capacidade de estar entre os outros alunos, pois é dessa interação que ela precisa", desabafou.

A dona de casa Irene de Souza, de 49 anos, moradora de Sumaré, também sentiu falta de uma profissional que acompanhasse sua filha de 14 anos, que possui deficiência intelectual, durante o tempo em que ela ficou na escola regular. Em razão disso, Irene preferiu que a adolescente estudasse somente na Associação Pestalozzi, uma entidade filantrópica voltada para o atendimento de pessoas com deficiência. "Ela não conseguia acompanhar os outros alunos na escola. É uma professora para 40 alunos, não dá para dar atenção suficiente para esse tipo de estudante. Já na Pestalozzi tem psicólogo e poucas crianças, o aprendizado é melhor", disse.

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