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Ana Carmem Dias perdeu a visão há 14 anos. Ela é uma prova de que com determinação é possível se realizar profissionalmenteA Lei de Inclusão Social, aprovada em 2004, obriga as empresas com mais de cem funcionários a ocupar de 2% a 5% das vagas com portadores de deficiência. Esse tipo de inclusão, de acordo com o Conselho Nacional dos Direitos das Pessoas Portadoras de Deficiência Física (Conade), esbarra em algumas dificuldades para o deficiente. Entre elas, o preconceito por parte dos colegas, a necessidade de adaptação de ambientes de trabalho, como rampas e alargamento de portas.

Por causa das dificuldades, muitos profissionais com deficiência desistem de buscar uma vaga no mercado de trabalho. Outros, no entanto, persistem e provam ser possível vencer os limites impostos pela vida. A funcionária pública Ana Carmem Dias, 49 anos, que ficou cega há 14, é um exemplo.

Douglas Marçal

A perda da visão foi em consequência de uma retinose pigmentar, uma série de alterações genéticas. "Cresci com algumas limitações do campo visual, mas jamais deixei me levar pelos desafios. No primeiro ano, foi complicado se adaptar ao mundo da cegueira. Graças ao apoio de toda a minha família, consegui superar os obstáculos que a vida me impôs", confessa Ana Carmem.

Na luta diária para concretizar os sonhos dela, a funcionária pública, que hoje atua como educadora municipal em diversas áreas, enfrentou o preconceito e barreiras de acessibilidade, pelos lugares onde trabalhou. "Aprendi que para ser aceito como um deficiente é preciso primeiro se aceitar. A maturidade emocional me trouxe mais segurança para lidar com o estranhamento das pessoas", destaca.

Foram algumas tentativas frustradas de trabalhar na rede privada, que a motivaram a se inscrever em concursos públicos. "A falta de qualificação para deficientes também limita a inclusão no mercado de trabalho", ressalta Ana Carmem, ao se referir às dificuldades de se conquistar vagas de emprego para deficientes.

Para ela, o portador de deficiência, seja qual for, não deve se render nunca às dificuldades e limitações. "A luta é grande para todas as pessoas, sejam elas deficientes ou não, por isso, é preciso se qualificar, correr atrás de uma formação profissional. Os sonhos, não nascem apenas de uma vontade, um desejo, mas de muito esforço e determinação", aconselha a educadora, que hoje se diz plenamente realizada no que faz, dando palestras motivacionais em muitas empresas e outros setores da sociedade.

Outro exemplo de satisfação plena no trabalho é o da psicóloga e professora das redes pública e privada de ensino Romilda Ramos de Araújo, 42. "Tive poliomielite com um ano e dez meses. A doença comprometeu toda a área motora. Apenas meu braço direito não ficou com sequelas e eu conseguia andar de muletas", conta.

Ela lembra que passou por várias cirurgias e depois de um delas, na coluna, aos 13 anos, para corrigir uma grave escoliose, deixou de andar e passou a utilizar cadeira de rodas. "Foi um período muito difícil", recorda.

Hoje, ela se diz adaptada . "Eu e a cadeira nos damos muito bem, e com a motorizada então, descobri um novo jeito de viver", relata com entusiasmo.
Igual a Ana Carmem, Romilda enfrentou olhares desconfiados e reações de espanto por ser cadeirante, além é claro, de muita dificuldade de acesso para chegar às salas de aula.

"Apesar da evolução que obtivemos nos últimos tempos, a questão da acessibilidade continua sendo um dos limitadores da pessoa com deficiência motora. Há também, um estereótipo em relação a essa população que, muitas vezes, é considerada como dependente da ajuda do outro levando a uma percepção distorcida de que talvez o cadeirante, por exemplo, dê mais "trabalho" do que resultados efetivos para a empresa", ressalta.

Romilda diz que a explicação está na resistência, em muitos casos, de contratar deficientes. "A atitude denota uma falta de informação e conhecimento dos empresários e gestores sobre a questão da potencialidade desses profissionais", conclui.

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