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Com 63 anos de idade, Raimundo Nonato da Silva é cadeirante há muitas décadas, tantas, que tem até dificuldade para contar os anos de cabeça. Sem comentar o motivo pelo qual foi parar em uma cadeira de rodas, o senhor que passa seus dias na frente da agência do Banco do Brasil da Avenida JK. Tem marcado na pele, que é cheia de cicatrizes, os acidentes que sofreu por conta da falta de acessibilidade.

Levantando a bandeira dos deficientes físicos, Raimundo enfrenta uma batalha diária pelo direito de ir e vir. Em casa, nos pontos de ônibus, dentro dos próprios coletivos e ao tentar o acesso aos prédios públicos, tudo é uma grande luta para quem tem a mobilidade limitada. “Quando se trata do assunto acessibilidade posso dizer que tenho uma experiência longa, porque há anos eu luto pela defesa dos direitos dos cadeirantes. Hoje em dia, mesmo com as leis específicas para quem é deficiente, a realidade é muito diferente. Ainda enfrentamos problemas para entrar nos supermercados, nos bancos, nos restaurantes”, afirma.

Raimundo diz que a maior dificuldade é que nenhum local ou estabelecimento em Palmas está completamente preparado para receber um deficiente. “O que você percebe é que se há uma rampa, há também uma escada. Se existe um acesso, não tem banheiro especial. E se existe, não é respeitado pela população. Quando o poder público ou a iniciativa privada tomam alguma atitude, a própria população não respeita. Cansei de ver carros estacionados em vagas para deficientes, motos paradas na frente das rampas e por aí vai”, explica.

Na opinião do cadeirante, resguardando-se alguns edifícios e estabelecimentos comerciais, a capital do Tocantins ainda não é um lugar para quem tem a mobilidade limitada. “É preciso ficar atento quando se discute a construção de rampas. Elas precisam ser largas e não estreitas como acontece na maioria das vezes. Próximo a Unicom, por exemplo, nem rampa tem, sempre temos que contar com a boa vontade das pessoas para atravessar a rua. Às vezes me vejo em situações humilhantes, é muito difícil”, observa o cadeirante.

Transporte coletivo

Para Raimundo, porém, a maior dificuldade é quando se trata de transporte coletivo. De acordo com o cadeirante, que participou da inauguração da primeira linha de ônibus adaptada para deficientes físicos, os motoristas não estão preparados para lidar com esta classe. 
“Foram anos lutando pelos ônibus adaptados, tivemos um avanço, mas agora já são anos lutando contra motoristas mal educados. Já tive muito problema nos coletivos. Os condutores não sabem acionar a rampa e numa dessas levei um tombo de uma altura grande e acabei me machucando muito”, diz.

Para o futuro, o cadeirante garante que quer continuar lutando pelo respeito aos deficientes. Apostando que para dar certo, a batalha precisa ser feita da união de quem tem a mobilidade limitada, Raimundo garante que sua parte, ele vai continuar fazendo. “Uma andorinha só não faz verão, isso é um fato. O poder público pouco faz se não for pressionado, então precisamos pressionar, precisamos correr atrás dos nossos direitos, afinal, somos tão cidadãos quanto qualquer um”, afirma.

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