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Queridos leitores, desde já peço desculpas pela extensão do texto. Minha irmã, que é jornalista, sempre puxa minha orelha dizendo que textos menores são mais interessantes de serem lidos. Mas, como mera mortal que sou, não fui capaz de resumir todas as belezas que encontrei na Paraíba em poucas palavras! Em 2008, estava decidida a passar uma semana de férias na Paraíba. Havia entrado em contato com a Secretaria de Turismo de lá e ficado encantada com o tratamento recebido. Dias antes de fechar meu pacote de viagens, encontrei uma reportagem na internet falando sobre a existência de uma empresa de turismo com ônibus adaptado em Natal/RN e sobre um resort totalmente adaptado para cadeirantes. Acabei me rendendo a Natal. Aproveitei a viagem e passei um dia em João Pessoa, o suficiente para me encantar e ter vontade de voltar.

Tirei 20 dias de férias, justamente pra me esquecer da rotina estressante do banco e me preparar melhor para a competição de natação no final do mês. Trabalhei até sexta feira à tardinha e embarquei pra João Pessoa na madrugada de sábado. Dessa vez, fomos apenas eu e minha mãe.


Aeroportos

Confins

Sempre elogiei o aeroporto de Confins em meus textos. Dessa vez, encontrei algumas pequenas falhas. A funcionária que me atendeu no check-in era novata e ficou perdida ao atender uma cadeirante. Ela não sabia que as três primeiras fileiras do avião são reservadas para pessoas com deficiência, idosos ou crianças de colo. Custei para que ela transferisse meu lugar da 6ª fileira para a primeira. Pra variar, a companhia aérea possui balcão rebaixado de informações, mas acho que ele serve apenas de enfeite! O funcionário foi me levar até a aeronave. Antes tivesse pedido minha mãe para me carregar. Os dois meninos que me atenderam não sabiam carregar uma cadeirante tetraplégica. Não caímos por pouco. Na volta pra casa, fui atendida por outros funcionários. Eles tentaram fazer uma cadeirinha. Resultado: o funcionário que carregou meu tronco viu que iria me deixar cair e me abraçou amassando meu peito. Situação bem desagradável! Além de molharem um pedaço da minha cadeira de rodas, perderam uma parte do meu cinto de segurança. Quando minha irmã foi me buscar, na área reservada para embarque/desembarque de pessoas com deficiência, um táxi estava ocupando grande parte da vaga. Minha irmã jogou farol e, com muita má vontade, o motorista puxou o carro pra frente liberando a vaga.

Recife

Não tinha idéia que minha viagem seria tão longa! Sai de Confins, fiz escala em Salvador, conexão em Recife para, enfim, chegar a João Pessoa. Nunca tinha ido ao aeroporto de Recife. Só conheci a parte de embarque para vôos domésticos. O funcionário, nas duas vezes em que estive lá, não demonstrou boa vontade em me deixar desembarcar. Não localizei banheiro adaptado sinalizado por lá. Encontrei-os por acaso. Testei dois banheiros: todos estavam com o vaso sanitário solto. Na ida, o funcionário da companhia aérea não ajudou minha mãe a empurrar a cadeira de rodas. Quando desci de João Pessoa, na volta, o funcionário não queria trazer minha cadeira de rodas. Queria que eu usasse uma cadeira faltando pedaços. Eu me recusei, ainda mais que ficaria mais de 2 horas esperando o vôo para Salvador. Quando questionei sobre o cumprimento da Resolução 009/2007 da ANAC, ele me pediu desculpas e providenciou minha cadeira de rodas.

Achei muito legal o aeroporto possuir telefones adaptados, inclusive para surdos. O aeroporto possui várias rampas e elevadores. O embarque/desembarque é feito por fingers.

João Pessoa

O aeroporto de João Pessoa não possui fingers nem ambulifts. O embarque/desembarque é feito, na pista, utilizando-se escadas. Caso queira utilizar sua própria cadeira, o cadeirante é levado até a escada. Chegando lá, é transferido para uma das cadeiras da companhia aérea e levado até o interior da aeronave. Segundo o funcionário da companhia aérea que me atendeu, atualmente, apenas duas cadeiras de rodas estão em perfeito estado de conservação. Mesmo com funcionários treinados, é sempre desconfortável ser carregada por escadas. Eu morro de medo! Foi inevitável perguntar, no autêntico mineirês: ô moço, não tem perigo desse trem cair não? O funcionário riu demais. Tanto que não se esqueceu de mim. Na volta pra casa, falou que tinha mexido comigo no shopping, mas que eu não tinha dado bola pra ele. Realmente, não o vi por lá.

Achei muito interessante o fato de todos os balcões do check-in serem rebaixados. Existem vários banheiros adaptados e todos muito bem sinalizados. Testei dois banheiros: o primeiro estava sem luz e sem água na pia. No segundo, encontrei água na pia, mas a torneira estava com a alavanca danificada. As pias que colocaram nos banheiros são pequenas e difíceis de encaixar a cadeira de rodas. Senti falta de espelhos!

Existem carregadores de malas credenciados para ajudar os passageiros. Você paga o que achar justo. Precisei da ajuda de um deles na volta pra casa. Acabei comprando muitos presentes! Cheguei com uma mala e voltei com três!

Embora seja pequeno, o aeroporto é bem aconchegante. Dentro dele, tem um self service divino. Existem várias lojinhas de roupas, artesanato e comida.

Pra ficar perfeito, só falta mesmo um ambulift ou fingers.

Agora sim, João Pessoa

Fiquei hospedada em um hotel na praia de Manaíra. O hotel é um dos mais novos da região e segue o conceito da sustentabilidade. Adorei o quarto adaptado. Os espaços são pequenos, mas muito bem aproveitados. Alguns alimentos consumidos no hotel são oriundos da horta que fica no primeiro andar. No terraço, existe um jardim suspenso que permite uma vista privilegiada da orla de João Pessoa. Pena que, pra cadeirantes, a visão não passe de um muro! Não dei altura para enxergar a vista. A única ressalva que faço do hotel é a piscina. Muito pequena, quase um tanquinho! E ainda fica em frente ao restaurante. No período em que estive hospedada, sempre tinham homens de negócios por lá. Fiquei sem graça de exibir meus cambitos!

Pelo o que pude perceber nas minhas andanças, João Pessoa ainda está começando no turismo se comparada às outras capitais do litoral nordestino. Em questão de acessibilidade, ainda estão no início. Na orla, existem calçadas rebaixadas. Alguns ônibus possuem elevador, mas não existem táxis adaptados por lá. Saindo da avenida beira mar, as ruas não possuem rebaixamento nas calçadas. Em algumas delas, o passeio está bem esburacado. Situação comum em várias capitais brasileiras, incluindo BH. O centro histórico está bem adaptado, cheio de rebaixamentos nas calçadas.O que mais me encantou, além das belezas naturais, foi, sem sombra de dúvidas, o jeito acolhedor e prestativo dos paraibanos. Sempre que tive problemas com a acessibilidade, seja para descer um degrau ou chegar ao mar, encontrei alguém disposto a me ajudar, independente do esforço que seria necessário. Em terra de cabra macho, não faltaram braços fortes pra me carregar e me levar onde minhas pernas não podiam ir. As pessoas são muito simpáticas. Adorei o sotaque. Sou suspeita, pois adoro o nordeste. Praias, comidas, artesanato, músicas... tudo me encanta. Sinto não poder dançar um arrastapé com tudo o que se tem direito. Certa vez, em Maceió, o guia cismou de dançar comigo. Mas desisti; ficaria igualzinha uma nega maluca! Minhas irmãs me criticaram muito dizendo que estava falando um mix de mineirês com paraibês que doía os ouvidos. Outro fato interessante é que pros lados de lá, fui considerada uma mulher vistosa, que só ficará no caritó se quiser. Brincadeiras à parte, adorei a viagem!

Não carece de muito esforço pra se encantar pela Paraíba! A seguir, vou contar alguns passeios que fiz por lá.

Quase todos os meus passeios foram feitos através da Luck. Adorei os serviços da empresa. Adoro viajar e, freqüentemente, tenho tido problemas com receptivos. Para minha surpresa, na Paraíba, não tive nenhum contratempo. Foi tudo maravilhoso. A Luck dispõe de uma equipe de profissionais competentes e treinados para atender um cadeirante. Sinceramente, alguns guias conduziram melhor minha cadeira de rodas que alguns parentes e amigos que convivem comigo há anos. Fiquei surpresa com esse fato. Só não vou citar os nomes dos guias e motoristas que me atenderam, pois não pedi a autorização deles. Mas já foram devidamente elogiados junto aos chefes da empresa e sabem que contribuíram bastante para que eu me encantasse ainda mais pela Paraíba e pudesse aproveitar minha semana com tudo o que tinha direito. A única ressalva é o fato da empresa não contar com nenhum veículo adaptado. Deixei minha sugestão e fui informada que a questão será levada à diretoria. Os guias foram muito atenciosos e prestativos comigo. Mas, de certa forma, ficava um pouco encabulada, pois tinha noção da trabalheira que era colocar/tirar a cadeira e a cadeirante do carro toda hora. Mesmo assim, deixei a frescura de lado, e fui pra todo lado. Como diz minha mãe, há tempos me tornei ‘sem vergonha’; onde tiver um pescoço pra agarrar e um braço forte pra me carregar, estou indo!

Shopping Manaíra

Sempre gostei de shopping. Os guias fizeram tanta propaganda que não pude deixar de conhecer o Shopping Manaíra. Ele é enorme. Confesso que fiquei perdida em meio a tantos corredores de lojas. Sem brincadeira, gastei quase meia hora para localizar a Caixa Econômica e a Loteria, mesmo com o segurança que orientando. Outro drama foi localizar a farmácia para comprar um removedor de esmaltes! Só posso ter pagado língua de rir, no passado, de alguns parentes do interior andando num shopping de BH. Bem feito! O shopping é lindo! Foi difícil resistir e sair de lá sem nenhuma sacola. Enquanto esperava pelo motorista de táxi, levei um susto quando um pastor me cutucou e começou a me contar a história de vida dele. Ele me abençoou e disse que tem certeza que sairei da cadeira de rodas. Verdade ou não, acho que toda benção e oração são válidas.

MAP – Museu de Artesanato Paraibano

Para o meu azar, fiquei hospedada pertinho de três tentações: o MAP, a Feirinha de Artesanato de Tambaú e de outra feirinha de artesanato. Lá se foi meu salário! Adoro o artesanato paraibano. Os preços são ótimos, bem mais em conta que em outras capitais. Também encontrei muitas coisas inéditas.

O MAP possui rampas. São dois andares de lojas variadas. No primeiro andar, vi que existem degraus para se chegar ao banheiro. No segundo piso, não existem degraus na entrada do banheiro. Quase todas as lojas aceitam cartões.

Na Feirinha de Tambaú, também encontramos muitas coisas de artesanato. Os preços são bem parecidos. Mas sempre é possível negociar um descontinho. A única coisa que não gostei foi ter que laçar algumas vendedoras. Várias lojinhas ficam abertas e sem vendedor. O visitante tem que sair procurando o dono da loja caso queira mesmo comprar algum produto.

Praias, Lojas / Restaurantes da Manaíra e Tambaú

Um fato que me chamou atenção foi a falta de acessibilidade nos estabelecimentos comerciais. Em várias lojinhas (lojas de roupa, produtos caninos, artesanato, comidas da região, etc), existem degraus na entrada. Em outras, as portas são tão estreitas que a cadeira de rodas não passa. Fui jantar em um restaurante que tinha dois degraus na entrada. Por pouco, o garçom não derrubou minha cadeira de rodas! Totalmente desajeitado. Os comerciantes ainda não se atentaram para esse detalhe. Alguns me falaram que as rampas já estão no projeto de reforma do estabelecimento. Vale lembrar que deficiente também é consumidor e ajuda a movimentar a economia do nosso país.

Andei bastante pelo calçadão da praia de Manaíra. Só encontrei acesso à areia através de escadas. Na orla de Tambaú, existem vários quiosques. Várias pessoas me ofereceram ajuda caso quisesse ir até o mar. Achei bem legal, pois a faixa de areia até o mar é bem larga.

Centro Histórico

O centro histórico está bem adaptado. É claro que nem todas as construções antigas permitem adaptações. Um bom exemplo de acessibilidade é a Praça João Pessoa. Existem rebaixamentos nas calçadas. O centro histórico apresenta uma série de casarões, igrejas e ruas centenárias. Adoro passear pelas igrejas: a minha predileta é a Igreja de São Francisco. A história dela é muito interessante. É bom reservar um tempinho para apreciar todos os detalhes. O acesso é facilitado. As pedrinhas fazem o cadeirante sacudir um pouco, mas vale à pena a visita. Se não me engano, a entrada custa R$ 4,00. Como fiz meu city tour no primeiro dia, ainda estava cansada da viagem e já conhecia o interior da igreja, dessa vez, não entrei. Passei ainda pelo Ponto de Cem Réis, Teatro Santa Rosa, Casa do Artista Popular, várias igrejas e a pela Praça Antenor Navarro, onde se encontra o Hotel Globo. O acesso nessa praça é mais complicado, pois existem degraus para se entrar no Hotel, nada que pessoas prestativas não possam resolver. Minha mãe tirou fotos do alto do Hotel Globo – a vista é linda!

No city tour, conheci também a Lagoa do Parque Sólon de Lucena. À noite, a Lagoa fica ainda mais bonita. Achei muito interessante o monumento da Pedra do Reino, homenagem à Ariano Suassuna. Fiquei horas ouvindo as histórias da região. Não tinha idéia que a história de João Pessoa fosse tão movimentada!

Praia de Cabo Branco / Farol / Estação Ciência

Para mim, a praia urbana mais bonita de João Pessoa, é a do Cabo Branco. Todas as manhãs, de 6h às 8h, a avenida é fechada para que os pedestres façam caminhada. No final da praia, temos uma falésia viva. Do alto da falésia, temos uma vista privilegiada de toda a orla de João Pessoa, passando pelas praias de Cabo Branco, Tambaú, Manaíra, Bessa, Intermares e outras. A última praia avistada fica em Cabedelo.

O Farol do Cabo Branco, que fica na Ponta do Seixas, é o ponto extremo oriental das Américas. É o ponto do Brasil mais próximo da África. Lá temos um sorvete que é imperdível. A caipirinha também faz sucesso, mas não tive coragem de experimentá-la. Afinal, sou atleta de final de semana e a competição está chegando. Também temos várias lojinhas de artesanato. Não é permitido entrar de carro no Farol. O visitante faz uma pequena caminhada, mas o acesso é facilitado.

No meio do caminho, chama nossa atenção uma construção moderna e linda, a Estação Ciência, um projeto arquitetônico de Oscar Niemeyer. Lá dentro, temos várias exposições de cultura e arte. No alto do prédio, temos um planetário. São tantos os atrativos da região, que fica difícil conhecer tudo em apenas uma semana. Infelizmente, não tive tempo para entrar na Estação Ciência.

Projeto Tartarugas Urbanas

Fui à praia de Intermares visitar o Projeto Tartarugas Urbanas. Trata-se de uma ONG que cuida das tartarugas da região e ainda ensina surf para meninos carentes da região. Se comparado ao Projeto Tamar, achei tudo muito pobre e não tive como sair de lá sem dar minha contribuição. A ONG sobrevive com recursos da lojinha que tem. O projeto é bem bacana. Pouco tempo atrás, muitas tartarugas nasciam e iam em direção à avenida, morrendo atropeladas. A ONG faz vistorias diárias na areia e supervisiona os ovinhos para que as tartarugas, quando nascerem, caminhem em direção ao mar. Achei muito legal a ONG já ter campeões no surf. Com certeza, o projeto dá oportunidade de trilhar caminhos melhores para meninos em vulnerabilidade social.

Praia do Bessa

Fui passar uma tarde na praia do Bessa. Gostei bastante da praia. Pra variar, não resisti e sai de lá com várias compras! O restaurante que fiquei é ótimo. Tem até dois tanques cheios de guaiamuns. O garçom bem que tentou, mas não tive coragem de segurar um bicho daqueles pra tirar foto! Fui frouxa mesmo. Mas imaginei aquelas patonas agarradas no meu cabelo e não tive coragem. Nos jardins, existem vários enfeites, incluindo uma Branca de Neve e seus sete anões. Só tive dificuldade em usar o banheiro. Não existe banheiro adaptado e a cadeira de rodas não entra na porta. Além disso, a pia é muito alta.

Uma coisa que me chamou atenção nas praias da Paraíba é que o acesso ao mar é meio complicado. A faixa de areia é bem grande. Em alguns casos, a areia é fofa, fazendo com que seja difícil e bem pesado empurrar a cadeira de rodas. O litoral é tão lindo que merece a utilização, mesmo que itinerante, de esteiras de bambus e cadeiras anfíbias, para que pessoas com dificuldade de locomoção também possam usufruir desse paraíso.

Cabedelo

Situada no quilômetro zero da BR 230, entre o mar e a foz do Rio Paraíba, temos a cidade portuária de Cabedelo. No local, encontramos o Forte de Santa Catarina. A entrada no Forte custa R$ 2,00, mas não me cobraram ingresso. Não sei o por que, mas também não paguei pela entrada em igrejas. Fiquei encantada com o Forte. É uma construção maravilhosa. A natureza facilitou o acesso para cadeirantes – é possível conhecer a maior parte do Forte através da grama. Uma rampa íngreme de pedra e outra de terra, totalmente esburacada, permitem que o cadeirante suba até os canhões e tenha uma vista MARAVILHOSA. Devo ao guia Tiago meu momento de turismo de aventura na Paraíba. Ele não mediu esforços para que eu conhecesse o Forte. Não quis nem saber e subiu a rampa de terra comigo. Do alto, vi o porto de Cabedelo e toda a região. Achei muito legal uma embarcação que é feita em uma carcaça de ônibus – um ônibus que anda na água. Pena que a parte dos canhões esteja mal cuidada. O Forte sobrevive apenas do ingresso das visitações e do aluguel do espaço para eventos. Mesmo assim, adorei o lugar, cercado de muito verde, flores amarelas e várias lendas. Outra curiosidade é uma máquina utilizada pelos navios japoneses na matança das baleias no litoral paraibano. Essa matança só foi proibida em meados dos anos oitenta.

Em Cabedelo, assisti, pela segunda vez, a um dos espetáculos mais lindos que já vi: o pôr do sol ao som do Bolero de Ravel, tocado ao vivo, pelo músico Jurandyr, na praia fluvial do Jacaré. Às 17h, o músico entra em um barquinho e percorre uma parte do rio tocando o Bolero de Ravel no sax. Os visitantes ficam contemplando esse encontro entre a arte humana e a natureza nas varandas dos restaurantes à beira do rio. Dessa vez, o tempo estava nublado e o pôr do sol não foi tão maravilhoso quanto o do dia em que estive lá em 2008. Mesmo assim, foi um momento único. Ainda mais emocionante que o Bolero de Ravel, foi o momento em que o músico toca a Ave Maria às 18h. Impossível não encher os olhos de água e agradecer a Deus pela oportunidade de vivenciar um momento tão lindo desses.

Na praia do Jacaré, além de vários restaurantes, temos uma série de lojinhas e uma feirinha. O visitante pode, ainda, passear de barco pelo Rio.

O povo ficou rindo de mim, mas não resisti e tirei fotos e mais fotos. Adorei uma estátua de um jacaré tocando sax. Também tirei foto com um casal de cangaceiros. Meu pai me disse que estava igualzinho àquelas cangaceiras de filme nacional.

Litoral Sul

Para fechar minha viagem com chave de ouro, decidi conhecer algumas praias do Litoral Sul. Simplesmente, lindo e imperdível. Como resolvi fazer o passeio de última hora, acabei contratando um taxista pra me levar. O motorista tinha muita boa vontade, mas era totalmente estabanado. Voltei estrupiada pro hotel! Meu pescoço sofreu! Quando comentei com minha fisioterapeuta, levei um puxão de orelha. Corri o risco de ter um efeito chicote no pescoço. Felizmente, deu tudo certo!

Barra do Gramame

É a primeira das maravilhas partindo da capital e fica às margens do rio de mesmo nome, que marca a divisa entre os municípios de João Pessoa e o Conde.

Jacumã

É a mais urbana das praias do Conde. Possui uma série de hotéis e pousadas. Fica extremamente movimentada no carnaval, feriados e finais de semana.

Tabatinga

É a praia das areias coloridas. Na parte mais deserta, encontramos as falésias coloridas.

Tambaba

Para mim, uma das praias mais lindas que conheci. Logo na chegada da praia, temos um mirante onde podemos ter uma vista privilegiada. O acesso à praia é complicado para cadeirantes, já que o chão é de pedrinhas e existem alguns degraus para se chegar à areia. O mar também provocou o desnível de algumas pedras. Mas vale a pena a descida até a areia. Passei um tempo no alto, só contemplando a paisagem e criando coragem pra descer. Depois, fui até a areia. Tambaba é a única praia de naturismo do nordeste. A parte do naturismo é restrita. Para usufruir dessa parte, o visitante precisa entrar na área reservada e deixar todas as suas roupas. Não tive curiosidade em conhecer a parte de naturismo. Minha mãe nunca iria comigo!

A praia é linda! Fiquei encantada com as pedras e um coqueiro que nasceu em cima de uma delas, dentro do mar.

Coqueirinhos

É considerada uma das praias mais lindas do litoral brasileiro. Só conhecendo pra entender. É realmente linda! Na parte em que fui, achei o acesso complicado. O taxista cismou de me levar pra um local mais sossegado e me fez passar no meio de uns matos. Acabei cortando minha perna em uma planta. Mas valeu a pena o turismo de aventura! Como era uma sexta feira de manhã, a praia estava bem vazia. Um sossego total! A paisagem é linda.

Enfim, realmente, a Paraíba é um paraíso entre o rio e o mar. Nunca comi tanta macaxeira, carne de sol e queijo coalho na minha vida. É terra de belezas naturais, culturais e gente bem hospitaleira. Um lugar que encanta e deixa saudades. Com certeza, pretendo voltar por lá em breve. Tendo a oportunidade, leitor, não deixe de passear por lá!

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